O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, conduziu nesta terça-feira um duro interrogatório à depoente Thaisa Hoffmann, representante da THJ Consultoria Ltda., durante sessão que investiga supostas fraudes e desvios envolvendo aposentadorias e benefícios previdenciários. O foco principal foi a compra de um apartamento de luxo avaliado em R$ 28 milhões, no edifício Sena Tower, em Balneário Camboriú, Santa Catarina — empreendimento descrito como um dos mais sofisticados do mundo.
Segundo o relator, Thaisa e seu marido, servidor do INSS, teriam reservado a unidade “lâmina 7001” do prédio, que possui até elevador para automóveis. Gaspar questionou de forma incisiva como o casal teria conseguido o montante milionário e levantou suspeitas de que o dinheiro poderia ter origem ilícita. O parlamentar afirmou que “os R$ 28 milhões podem ter saído da mesa dos aposentados, do remédio que eles deixaram de comprar, e da miséria causada por gananciosos que roubaram aposentados e pensionistas”.
Diante dos questionamentos, Thaisa Hoffmann manteve silêncio absoluto. Amparada por orientação de sua defesa técnica, ela se recusou a responder a todas as perguntas relacionadas ao imóvel, à origem dos recursos e até à possibilidade de vir a residir no local. A depoente também permaneceu em silêncio quando o relator mencionou três empresas ligadas a seu nome, optando por falar apenas sobre uma delas.
A postura da testemunha gerou forte reação entre os membros da comissão, que veem o caso como um símbolo do suposto enriquecimento ilícito de consultorias e intermediários à custa de aposentados e pensionistas do INSS. O relator prometeu aprofundar as investigações para rastrear a origem dos valores e apurar se há vínculo direto entre o patrimônio de luxo e os recursos desviados da Previdência.
Foto: TV Senado
