O deputado Zé Trovão (PL) protagonizou um intenso interrogatório ao ex-diretor do INSS, Alexandre Guimarães, durante sessão da CPMI que investiga o esquema bilionário de desvios contra aposentados e pensionistas. O parlamentar centrou suas perguntas em três eixos: a situação profissional de Guimarães, transações financeiras apontadas em relatórios do COAF e suas relações com figuras-chave do suposto esquema de corrupção.

Logo no início, Zé Trovão pediu que Guimarães detalhasse seu histórico empresarial. O ex-diretor citou quatro empresas — Plenos, IG Investimentos, Vênus e outra “antiga” cujo nome não recordava — e afirmou que todas estão atualmente inativas. Disse ainda que sua única fonte de renda é a aposentadoria. O deputado, no entanto, questionou movimentações financeiras expressivas: relatórios do COAF indicam que a empresa ACA Consultoria teria transferido R$ 3,65 milhões à Vênus entre fevereiro de 2023 e abril de 2025, e que a Prospect Consultoria Empresarial teria enviado mais R$ 742 mil. Guimarães negou irregularidades e afirmou que os valores se referem ao total de contratos, e não a transações isoladas.

Durante a oitiva, Zé Trovão associou as empresas do ex-diretor às operadoras do esquema bilionário que teria movimentado mais de R$ 6 bilhões. O deputado lembrou que Guimarães chegou a ser citado por movimentações de até R$ 24 milhões, o que o ex-diretor negou categoricamente. Confrontado sobre suas relações com personagens centrais da investigação — como o lobista conhecido como “Careca do INSS” e o procurador Virgílio Antônio de Oliveira Filho —, Guimarães admitiu conhecer ambos, mas afirmou que seus contatos foram estritamente profissionais e sem relação com irregularidades.

Em tom firme, Zé Trovão exigiu um compromisso de transparência. Guimarães declarou-se disposto a quebrar seu sigilo bancário e o da empresa Vênus, garantindo ter notas fiscais e cronologia dos serviços prestados desde janeiro de 2022. O parlamentar, por sua vez, lembrou que a CPMI enfrenta resistência do governo e citou tentativas de “blindagem” de nomes ligados ao Palácio do Planalto.

Ao encerrar sua fala, Zé Trovão fez duras críticas a parlamentares que tentam culpar o governo anterior pelos desvios. Segundo ele, “os mentirosos querem jogar a culpa em Bolsonaro, mas o maior roubo de R$ 4,7 bilhões aconteceu no governo Lula”. O deputado concluiu dizendo que a CPMI vai “mandar muito vagabundo pra cadeia” — e que, ao mesmo tempo, provará a inocência de quem foi injustamente envolvido.

Foto: TV Senado