O deputado Marcel Van Hattem (NOVO) fez um dos interrogatórios mais incisivos da CPMI do INSS ao questionar o ex-diretor de Governança e Integridade do órgão, Alexandre Guimarães. O parlamentar concentrou seu foco em três pontos: a cronologia dos contatos de Guimarães com o lobista Antônio Camilo, o “Careca do INSS”; a abertura de sua empresa de consultoria, a Vênus; e os possíveis conflitos de interesse e violações legais cometidas durante e após sua gestão no INSS.

Van Hattem iniciou pedindo detalhes sobre o relacionamento de Guimarães com o “Careca”, e o ex-diretor admitiu conhecê-lo desde o início de 2022, quando ainda ocupava o cargo. Eles chegaram a conversar sobre a possibilidade de contratos futuros, e Guimarães reconheceu que, sabendo que seria exonerado com a troca de governo, buscou alternativas para manter renda. O deputado, porém, destacou uma coincidência que considerou reveladora: a abertura da empresa Vênus, de Guimarães, em 3 de novembro de 2022 — logo após a vitória de Lula —, e da Curitiba Consultoria, da esposa do procurador Virgílio, na mesma semana. “Não acredito em coincidências. Isso foi uma engrenagem planejada para o roubo dos aposentados”, afirmou.

O parlamentar acusou Guimarães de ter violado a Lei 8.112/1990, que proíbe servidores públicos de administrar empresas, e a Lei 12.813/2013, que trata de conflitos de interesse. Guimarães admitiu ter contratado Rubens Costa para figurar como administrador da Vênus, alegando não poder exercer o cargo por ser servidor. Van Hattem rebateu dizendo que Rubens foi indicado por Careca, o que configuraria ligação direta com o núcleo investigado. O deputado também apontou que Guimarães, mesmo durante o cargo, manteve relações comerciais com a Brasília Consultoria, empresa que atuava para entidades suspeitas de fraudar o INSS, violando o prazo de impedimento de seis meses após a saída do serviço público.

Van Hattem foi além e denunciou que Guimarães recebia R$ 150 mil por mês das empresas de Careca, com cerca de R$ 80 mil líquidos para si, e questionou se parte desses valores teria sido usada para pagar propina a políticos. Guimarães negou categoricamente qualquer envolvimento com propina e afirmou estar disposto a abrir seu sigilo bancário e o da Vênus.

Encerrando o interrogatório, o deputado afirmou que os recursos recebidos por Guimarães eram provenientes da “roubalheira dos aposentados” e que as empresas de fachada foram criadas para lavar dinheiro do INSS. “O senhor infringiu duas leis e deve responder por improbidade, conflito de interesse e, se comprovado, lavagem de dinheiro. Essa quadrilha foi montada ainda na transição do governo Bolsonaro para o governo Lula — e onde tem PT, tem roubo”, concluiu Van Hattem, em tom de indignação.

Foto: TV Senado