O empresário Domingos Sávio de Castro, de 61 anos, foi duramente questionado em comissão parlamentar que investiga o gigantesco esquema de fraudes conhecido como a “Farra do INSS”. Apontado como operador e lavador de dinheiro do grupo criminoso, ele permaneceu em silêncio durante praticamente todo o interrogatório — o que levou o parlamentar a afirmar que “quem cala consente”, dizendo que o empresário “sujou a própria imagem” ao se recusar a responder.
O deputado lembrou que Domingos Sávio já tem histórico de crimes contra servidores e aposentados. Em 2018, ele foi alvo da Operação Strike, da Polícia Civil do Distrito Federal, que desmantelou uma quadrilha que aplicava golpes em idosos e servidores públicos. Condenado em 2023 a 3 anos e 11 meses de prisão, o empresário teve a pena revertida em prisão domiciliar. Mesmo assim, seis anos após a primeira operação, voltou a ser investigado por envolvimento no esquema da “Farra do INSS”, acusado de movimentar cifras milionárias.
Segundo as investigações, Domingos Sávio teria desviado quase R$ 100 milhões, em transações que incluíram valores de R$ 10 milhões, R$ 18 milhões e R$ 45 milhões. A principal origem do dinheiro seria a União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos (UNASP), entidade usada como fachada para desviar recursos de servidores e aposentados. A lavagem de dinheiro teria ocorrido por meio de transferências diretas das associações para as contas pessoais do empresário.
O parlamentar destacou ainda que Domingos é sócio das empresas Calvox e ACDS, ligadas ao grupo TR Trust, apresentado como um call center que recebia ligações de denúncia das próprias vítimas — o que, segundo o questionador, configuraria uma “ironia criminosa”.
Durante o depoimento, o empresário se recusou a responder sobre sua condenação, as movimentações financeiras e os vínculos com as empresas investigadas. O parlamentar classificou o silêncio como “perigoso” e afirmou que Domingos estaria “protegendo bandidos que não têm pudor algum contra os aposentados do INSS”.
Em tom de indignação, o deputado encerrou o interrogatório dizendo que o empresário “não deveria sequer estar nas ruas”, citando o caso de uma aposentada que perdeu R$ 55 — valor que usaria para comprar remédios — como símbolo da crueldade do esquema. “Esses criminosos tiraram o sustento de quem está no fim da vida. É uma afronta à dignidade humana e à Justiça brasileira”, afirmou.
Foto: TV Senado
