A médica Thaisa Hoffmann prestou depoimento à CPMI do INSS e foi duramente questionada pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, sobre o recebimento de valores milionários por meio de suas empresas — a THJ Consultoria e a Curitiba Consultoria —, suspeitas de envolvimento em um esquema bilionário de desvio de recursos de aposentados e pensionistas. Segundo o relator, as transações financeiras indicam uma rede de repasses vindos de diferentes núcleos empresariais e associativos sob investigação.
Entre os principais apontamentos, Gaspar destacou transferências do chamado “núcleo do Careca do INSS”, que teria movimentado quase R$ 2 bilhões. Somente a Curitiba Consultoria, ligada à depoente, recebeu cerca de R$ 11 milhões. Também foram identificados repasses de R$ 6,7 milhões provenientes da empresa World Cannabis — descrita pelo relator como uma empresa que “nunca vendeu um pé de maconha medicinal” — e mais de R$ 500 mil oriundos de associações de Sergipe classificadas como criminosas. No total, Thaisa Hoffmann teria recebido aproximadamente R$ 15 milhões por meio de suas empresas.
Durante a oitiva, Thaisa Hoffmann invocou diversas vezes o direito ao silêncio, recusando-se a responder sobre a criação de suas consultorias, os contratos, o número de funcionários e os serviços prestados à World Cannabis e a outras empresas investigadas. A médica, contudo, afirmou que todo o dinheiro recebido é fruto de trabalho lícito e que possui documentos para comprovar os serviços realizados. Ela citou a elaboração de pareceres médicos e pesquisas voltadas à saúde pública, incluindo estudos sobre o sistema endocanabinoide e seus efeitos metabólicos e hormonais.
A postura reservada da depoente gerou forte reação no plenário. O deputado Alfredo Gaspar expressou “péssima impressão” diante do silêncio e alertou que Thaisa estava perdendo a oportunidade de provar sua inocência perante o país. O relator afirmou ainda que o dinheiro pode ter sido utilizado como propina para beneficiar o marido da médica, o ex-procurador-geral do INSS, e garantiu que a CPMI seguirá rastreando cada transação financeira para identificar a origem real dos recursos desviados dos aposentados.
Foto: TV Senado
