O deputado federal Carlos Jordy (PL) fez duras acusações ao ex-diretor de governança do INSS, Alexandre Guimarães, durante sessão da CPMI que apura o esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas. O parlamentar concentrou seu questionamento em três eixos: a blindagem política de figuras ligadas ao governo, contradições nas declarações de Guimarães e as conexões financeiras entre a empresa Vênus Consultoria e outras envolvidas no escândalo.

Logo no início, Jordy criticou a tentativa de “blindagem” promovida por parlamentares da base governista, que segundo ele, impedem convocações importantes e bloqueiam requerimentos de informação, como o referente à empresária Daniele Fonteles. O deputado reforçou o pedido de convocação dela e de André Moura — ex-secretário e ex-deputado que teria indicado Guimarães ao INSS em 2017 —, afirmando que a CPMI não pode poupar “ninguém que tenha mexido no dinheiro dos aposentados”.

Jordy então apresentou o que chamou de “foto emblemática”: uma imagem de uma reunião ocorrida em 12 de janeiro de 2023, que mostrava Alexandre Guimarães ao lado do “Careca do INSS”, de André Fideles, do procurador Virgílio Antônio de Oliveira Filho e do atual ministro da Previdência. O deputado ressaltou a contradição: Guimarães havia afirmado que abrira a empresa Vênus Consultoria em novembro de 2022 por já saber que seria exonerado com a troca de governo. “Se já estava fora, o que fazia o senhor numa reunião com as principais figuras do esquema? Entregando currículo?”, ironizou.

O parlamentar detalhou que os participantes dessa reunião estiveram diretamente envolvidos no desbloqueio em lote de consignações da CONTAG, entidade que liberou descontos sem autorização de mais de 30 mil aposentados, revertendo normas do governo anterior. Jordy lembrou ainda que o presidente da CONTAG é irmão do deputado petista Carlos Veras, afirmando que “a engrenagem sindical ligada ao PT foi quem abriu a porta do cofre dos aposentados”.

Em seguida, o deputado destacou “coincidências financeiras inacreditáveis” envolvendo a Vênus Consultoria, de Guimarães, e a Curitiba Consultoria, de Thaísa Hoffmann (esposa do procurador Virgílio). Ambas foram abertas logo após o segundo turno da eleição de 2022, receberam recursos das mesmas empresas — Prospect e Brasília Consultoria, do “Careca do INSS” — e têm o mesmo administrador financeiro, Rubens Oliveira Costa. Jordy revelou ainda que o e-mail corporativo usado para registrar a Vênus pertencia à própria Prospect, chamando isso de “mais do que um batom na cueca”.

Sobre os quase R$ 4 milhões recebidos pela Vênus, Guimarães alegou que eram provenientes de “cursos de educação financeira”. Jordy ironizou a justificativa: “Entre tantos economistas no Brasil, escolheram justamente o diretor de governança do INSS. É o mesmo tipo de coincidência que colocou a esposa do procurador para dar parecer médico às empresas do esquema.”

Encerrando, Jordy afirmou que Guimarães pode ser apenas “um peixe pequeno”, mas que sua atuação foi, no mínimo, “negligente e imoral”. “Mesmo que o senhor não tenha sido o cérebro, foi parte do corpo dessa máquina de corrupção. E nós vamos expor todos — de cima a baixo — que meteram a mão no dinheiro dos aposentados brasileiros”, concluiu o deputado.

Foto: TV Senado