EUA Escalão Críticas e Alertam para Retaliações Após Prisão Domiciliar de Bolsonaro

Washington/Brasília, 4 de Agosto de 2025 – O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, elevou o tom de suas críticas à Justiça brasileira nesta segunda-feira (4), após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impor prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em uma declaração contundente, o Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão do Departamento de Estado norte-americano, não poupou acusações, rotulando o ministro Moraes como um “violador de direitos humanos sancionado pelos EUA”.

A mensagem, divulgada na rede social X, acusa o ministro Moraes de continuar a “usar as instituições do Brasil para silenciar a oposição e ameaçar a democracia”. O órgão americano defendeu enfaticamente o direito de Bolsonaro de se manifestar publicamente, afirmando que “impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro se defender em público não é um serviço ao público. Deixem Bolsonaro falar!”.

A condenação da ordem de prisão domiciliar foi acompanhada de um aviso claro: “Os Estados Unidos […] responsabilizarão todos aqueles que colaborarem ou facilitarem condutas sancionadas”.

A Decisão de Moraes e o Descumprimento de Restrições

A medida do ministro Moraes foi tomada após seu entendimento de que o ex-presidente descumpriu restrições impostas em julho, que o proibiam de usar redes sociais ou mesmo terceiros para manifestações públicas. O ponto de inflexão ocorreu no último domingo (3), durante uma manifestação no Rio de Janeiro. Na ocasião, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma ligação para seu pai, que, utilizando tornozeleira eletrônica, saudou os manifestantes com as palavras: “boa tarde, Copacabana, boa tarde, Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos”.

No despacho que fundamentou a prisão domiciliar, Moraes afirmou que Bolsonaro agiu “ilicitamente” ao se dirigir aos manifestantes. Para o ministro, o ato produziu “material pré-fabricado para seus partidários continuarem a coagir o Supremo Tribunal Federal e obstruir a Justiça”.

A decisão e a subsequente reação dos EUA geraram amplo debate e repercussão. Juristas brasileiros avaliaram que a prisão domiciliar de Bolsonaro é “abusiva, humilhante e desproporcional”, enquanto a imprensa internacional também repercutiu a ordem. A postura incisiva do governo Trump sinaliza uma escalada na tensão diplomática, levantando questões sobre possíveis reações futuras contra o ministro Moraes.

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