Durante sessão da CPMI do INSS, o senador Rogério Marinho (PL) dirigiu um questionamento direto ao ex-diretor do INSS, Alexandre Guimarães, sobre sua conduta ética e o contexto político que envolve o caso. O parlamentar reconheceu a postura de Guimarães por comparecer à comissão sem recorrer ao habeas corpus, mas afirmou vê-lo apenas como “uma peça pequena dessa engrenagem”, ressaltando que há nomes mais relevantes ainda fora do alcance das investigações.

Marinho concentrou seu questionamento na transição de Guimarães do setor público para o privado, destacando que o ex-diretor começou a receber pagamentos por serviços extraordinários já em janeiro de 2023, quando ainda estava no cargo. O senador perguntou se ele não deveria ter consultado a Comissão de Ética Pública para avaliar a necessidade de quarentena antes de firmar contratos com a iniciativa privada. Guimarães respondeu que seus contratos eram “de privado para privado”, não configurando vínculo com o governo.

O senador, porém, aproveitou a ocasião para ampliar o debate e atacar o discurso de moralidade do atual governo. Ele classificou como “a mais deslavada mentira” a narrativa de que o governo Lula seria um exemplo de probidade, lembrando que o país acumula escândalos desde 2002. Marinho citou o caso dos consignados de 2010, no governo do PT, e afirmou que os mesmos vícios retornaram em 2023, com o reaparelhamento da máquina pública. “O governo utiliza o Estado não como projeto de país, mas como instrumento de perpetuação no poder”, afirmou.

O senador também criticou a relativização moral e jurídica que, segundo ele, marca o atual momento político. Citando decisões do Supremo Tribunal Federal e declarações do presidente Lula, Marinho ironizou a chamada “moral do PT”, dizendo que “no Brasil de hoje, quem rouba um celular é vítima e o traficante é coitado do usuário”. Para o parlamentar, o caso do INSS é apenas mais um reflexo do aparelhamento institucional que atinge órgãos como bancos públicos, fundos de pensão, Petrobras e BNDES desde a suspensão da Lei das Estatais, promovida a pedido do PC do B.

Ao encerrar, Rogério Marinho lamentou que a corrupção continue se repetindo em ciclos. Ele destacou a coincidência de duas empresas — abertas durante a transição de governo — terem recebido recursos provenientes dos descontos associativos, que lesaram aposentados e pensionistas. “O que estamos vendo é a repetição de um padrão: a utilização do Estado para benefício de grupos políticos. Espero que a justiça seja feita e que a disputa permaneça no campo político, e não na lama da imoralidade”, concluiu.

Foto: TV Senado