O deputado federal Marcel Van Hattem (NOVO) fez um dos interrogatórios mais contundentes da CPI que investiga a “roubalheira dos aposentados”, direcionando suas perguntas ao empresário Domingos Sávio Castro, acusado de ser um dos principais operadores e idealizadores do esquema de descontos fraudulentos em benefícios do INSS. O parlamentar afirmou que Castro é “reincidente”, “mentor intelectual” e “coordenador adjunto do Careca do INSS”, o lobista Antônio Camilo, apontado como chefe do grupo.

Durante o depoimento, marcado por silêncio constante do empresário, Van Hattem observou que Domingos só se recusava a responder quando o tema envolvia o “Careca” e suas empresas. “O senhor se cala porque tem vergonha, porque sabe que foi um dos principais arquitetos do roubo dos aposentados”, declarou o deputado. Ele lembrou que Castro já havia sido condenado em 2023 a 3 anos e 11 meses por participação em golpes contra servidores e aposentados e que, em 2018, foi alvo da Operação Strike, que desarticulou uma organização criminosa atuante no Distrito Federal.

O parlamentar apresentou trechos da investigação que mostram que, na época, foram apreendidos 34 páginas com mais de mil registros de servidores públicos, além de documentos timbrados de entidades envolvidas em fraudes com precatórios. Van Hattem mencionou ainda vítimas idosas, incluindo uma senhora de 80 anos que teve descontos indevidos após confiar em Castro, e outra que morreu sem ver o dinheiro de um suposto auxílio funeral prometido. “O senhor não sente vergonha de roubar uma velhinha de 80 anos?”, questionou o deputado.

Van Hattem também detalhou o funcionamento do mecanismo de lavagem de dinheiro via empresas de call center, como CVOX e True Trust, controladas por Castro e Camilo. Segundo o deputado, essas empresas operavam um sistema de “resolução no varejo” — solucionando reclamações individuais apenas para manter a “roubalheira no atacado”. Ele afirmou que as mesmas estruturas eram usadas para lavar dinheiro desviado de associações como a UNASP (União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos).

Encerrando o interrogatório, Van Hattem afirmou que Domingos Sávio “exportou o golpe do Distrito Federal para o INSS” e que o esquema movimentou mais de R$ 500 milhões sob o olhar conivente do governo federal. “O senhor aproveitou o início do governo Lula, que tolera e incentiva a corrupção, para roubar ainda mais. Isso foi feito com o conhecimento do ministro Carlos Lupi e de Vinícius Carvalho, que foram alertados e nada fizeram”, disse o parlamentar.

O deputado concluiu declarando apoio ao pedido de prisão de Domingos Sávio Castro, classificando o empresário como “símbolo de uma engrenagem criminosa que atacou os mais vulneráveis do país — os aposentados que o governo prometeu proteger”.

Foto: TV Senado